Carta da Gestão – Junho/2024

Flutuações Inevitáveis do Mercado: Uma Análise das Experiências dos Fundos de Investimento em Ações

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Quando se trata de alcançar objetivos financeiros de longo prazo, a triste realidade é que muitos investidores não conseguem. Suas emoções influenciam decisões que terão impacto nos anos seguintes, levando a erros que poderiam ser evitados se as emoções fossem deixadas de lado. O desconforto de se diferenciar da maioria, observar investimentos com desempenho abaixo do esperado ou aderir à última tendência do mercado são algumas das pressões enfrentadas regularmente.

Os seres humanos são facilmente influenciados, tendo evoluído como animais de rebanho. Não aderir ao efeito manada é ir contra um instinto profundamente enraizado, mas essa atitude pode ser recompensadora, desde que as decisões sejam baseadas em dados e não em emoções.

Investir no mercado financeiro é uma jornada repleta de altos e baixos. Compreender que flutuações são naturais pode ajudar os investidores a manterem a calma e a perspectiva correta durante períodos de volatilidade. Por isso, nesta carta, conduzimos um estudo sobre o comportamento dos fundos de investimento sobreviventes no Brasil, reconhecidos como referência em gestão de patrimônio.

A questão que buscamos responder é: existe algum fundo capaz de evitar os altos e baixos do mercado financeiro e ainda entregar retornos acima do mercado?

Utilizamos dados da CVM para realizar a pesquisa, abrangendo o período de 2004 até o final de maio de 2024. O estudo focou em fundos da categoria Ações Livre, definida pela ANBIMA, uma vez que fundos de renda fixa são menos suscetíveis à volatilidade. Foram selecionados todos os fundos ativos com pelo menos 10 anos de existência, independentemente do número de cotistas.

Para responder à pergunta, utilizamos o drawdown, uma medida que expressa a queda do valor de um ativo em relação ao seu valor máximo. O objetivo foi verificar a porcentagem de fundos que permaneceram em drawdown, sem retornar ao ponto máximo de retorno por pelo menos 1, 2 e 5 anos.

A análise considerou dois grupos de fundos de investimento:

  1. O primeiro grupo, composto por 246 fundos, inclui aqueles que superaram o CDI.
  2. O segundo grupo abrange um total de 468 fundos, independentemente de seu desempenho.

No gráfico a seguir, observa-se que 100% dos fundos que superaram o CDI em retornos ao longo do tempo enfrentaram pelo menos um ano de drawdown. Isso significa que, mesmo os gestores de fundos mais bem-sucedidos enfrentaram períodos de perdas temporárias.

Este fato reforça a ideia de que drawdowns não são apenas normais, mas fazem parte do processo de alcançar retornos superiores. Aceitar e entender a normalidade das perdas é essencial para qualquer investidor que busca superar o mercado.

Resultado de fundos que superam o CDI vs todos os fundos, considerando as flutuações de mercado e estratégias de investimento

A paciência no investimento é a habilidade de suportar períodos de baixo desempenho com a perspectiva de alcançar objetivos financeiros de longo prazo. Esse conceito fundamental diferencia investidores bem-sucedidos daqueles que cedem à volatilidade do mercado e tomam decisões impulsivas.

Ter paciência exige uma mentalidade orientada para o longo prazo e uma compreensão profunda da natureza cíclica dos mercados financeiros. Durante períodos de queda, é natural sentir ansiedade e incerteza, mas é precisamente nesses momentos que a paciência se torna uma virtude essencial.

Investir é uma jornada que requer resiliência e confiança na estratégia adotada. Fases de baixo desempenho podem ser desafiadoras, testando a convicção e a capacidade de manter a calma. No entanto, aqueles que perseveram frequentemente colhem recompensas significativas. A história dos mercados financeiros está repleta de exemplos de investidores que atingiram grandes sucessos justamente por manterem a paciência em tempos de adversidade.

Equipe Avantgarde Asset Management